Frank_Macfarlane_Burnet
Frank Macfarlane Burnet

Vacinas

A clínica Auge fornece orientações e suporte no ato vacinal e pós-vacinal.

Vacinação de adultos e idosos

Em 1962, McFarland Burnett, um renomado cientista, afirmou, “Até o final da Segunda Guerra Mundial foi possível dizer que quase todos os principais problemas em lidar com as doenças infecciosas tinham sido resolvidos.”

Naquela época, sua declaração era lógica. Lógica porque as medidas de controle e prevenção tinham diminuído a incidência de doenças infecciosas, havia grande capacidade de continuar a identificar novos antibióticos para lidar com novos agentes, e o desenvolvimento de vacinas era satisfatório.

Programas de vacinação e educação para a saúde tornaram-se aliados importantes na redução da ocorrência de doenças infecciosas. Infelizmente, novos desafios apareceram com o passar do tempo e a afirmativa desse importante virologista australiano não se aplica ao momento atual. A resistência a antibióticos é uma “ameaça global” à saúde pública, em parte pelo uso indiscriminado de medicamentos.

História da vacinação

A história da vacinação começou há mais de mil anos. Quando a varíola apareceu na rota da seda, da China para a Turquia, surgiu a ideia de inocular pus de um doente numa pessoa saudável. Era arriscado, mas ao desenvolver sintomas benignos, a pessoa estava mais bem protegida da infecção fatal. O que se apelidou de variolização foi importado para o Ocidente no início do século XVIII.

Mas foi só em 1796, que um médico inglês, Edward Jenner, estabeleceu as primeiras bases científicas. Jenner inoculou o vírus da varíola bovina, retirado das pústulas de vacas doentes, em camponeses para protegê-los da doença. Utilizou o termo ‘variola vaccinae’, que significa literalmente, varíola das vacas e que mais tarde daria origem à palavra vacina.

Esta era a única vacina até chegar Louis Pasteur, 90 anos depois, já no final do século XIX, quando a primeira vacina contra a raiva foi testada por ele em 1885. Um rapaz mordido por um cão foi a primeira pessoa a sobreviver à doença.

E foi assim que hoje chegamos às inúmeras vacinas que nos protegem contra doenças infecciosas. Além de proteger contra doenças infecciosas potencialmente graves, elas auxiliam na prevenção de descompensação de doenças crônicas causadas por presença de doença infecciosa e, finalmente, melhoram a qualidade e a expectativa de vida. Saiba um pouco mais sobre importantes vacinas para adultos e idosos abaixo.

Vacinas

As vacinas são constituídas por vírus inativado, ou seja, não são capazes de infectar o paciente e causar infecção. A vacina trivalente contém três cepas influenza: dois subtipos de A (H1N1 e H3N2) e um subtipo B. A diferença entre as vacinas disponibilizadas na rede pública e privada é que nesta última há a presença de adjuvante, uma substância que aumenta a resposta à vacina, interessante para indivíduos com resposta imune deficiente. Vacinas quadrivalente terão as duas cepas A e duas cepas B, ao invés de uma.
A proteção após a vacina se inicia em duas semanas e dura um ano. Sua eficácia em jovens é de 70 a 90%, enquanto em idosos ela é de 60%. Um benefício da vacina contra influenza em idosos é a prevenção de pneumonia viral primária ou pneumonia bacteriana secundária, de hospitalização e morte.
A dose é anula, aplicada via subcutânea ou intramuscular. Reações leves como dor local ou sintomas gerais de mialgia, febre e mal-estar podem ocorrer e duram geralmente 48 horas. Reações graves são raras.
Infecções pneumocócicas são causadas pela bactéria Pneumococcus pneumoniae e incluem a pneumonia, a bacteremia e a meningite. A gravidade é crescente para essas formas clínicas e chega a 80% na meningite pneumocócica. As vacinas disponíveis para adultos são a polissacarídea 23-valente (VPP23) e a conjugada 13-valente (VPC13). A vacina VPP23 contém polissacarídeos de 23 sorotipos de pneumococos responsáveis por 90% das infecções invasivas. A vacina conjugada 13-valente recebe esse nome por conter uma proteína transportadora que potencializa e aumenta a duração da resposta imunológica, contribuindo para seu papel protetor contra a infecção pneumocócica invasiva e contra pneumonia bacteriana adquirida na comunidade. Tanto que o Comitê Assessor de Práticas de Imunizações recomenda que pessoas acima de 65 anos ou mais jovens mas imunossuprimidos recebam a vacinação com VCP13 seguida de uma dose da vacina polissacarídea. A Sociedade Brasileira de Imunizações recomenda vacinar todas as pessoas acima de 60 anos com a VPC13 e com a VPP23 após seis meses. Para aqueles que receberam uma dose de VPP23, recomenda-se uma dose de VCP13 com intervalo mínimo de um ano após a VPP23. Após cinco anos da VPP23, é feito uma nova dose de reforço. Se o indivíduo já recebeu duas doses de VPP23, aguardar um ano da última dose e fazer a VCP13. Se a última dose de VPP23 for feita antes dos 65 anos está recomendada uma terceira dose após essa idade, respeitando-se cinco anos da última dose.
A via de administração é intramuscular. É muito bem tolerada, com alguns eventos locais como dor e vermelhidão podendo ocorrer transitoriamente. Pacientes com baixa contagem de plaquetas ou outro distúrbio de coagulação, ou em uso de anticoagulantes podem ser vacinados pela via subcutânea.
O herpes zóster é uma doença infecciosa dolorosa e desagradável, além de poder evoluir com uma complicação crônica – a neuropatia pós-herpética. Nessa situação, o quadro doloroso pode durar meses ou anos, e ser incontrolável. Estima-se que 10-20% da população venham a apresentar a doença e esse percentual pode chegar a 50% em idosos que atingem 85 anos. Além disso, o herpes zóster pode se relacionar a vasculopatias, como o infarto do miocárdio e eventos cerebrais.
A disponibilidade de vacinação contra o herpes zóster, portanto, é de extrema importância e está indicada para todas as pessoas acima de 60 anos segundo recomendação da Sociedade Brasileira de Imunizações, mesmo aquelas que já apresentaram a infecção. Nesse caso o intervalo mínimo para a vacinação é de seis meses, preferencialmente um ano.
É uma vacina de vírus vivo, aplicada em dose única, via subcutânea. Indivíduos infectados pelo HIV com contagem de células CD4+ acima de 200/mm3, pacientes em uso de baixas doses de corticoide (até 20 mg de prednisona ao dia) e doses usuais de metotrexato (até 20 mg semanais) podem receber a vacina. Para pacientes em uso de agentes biológicos a recomendação é suspender a medicação por pelo menos quatro meias vidas antes da vacinação. É recomendado suspender o ácido acetil salicílico (aspirina) seis semanas antes da vacina. Não é necessário checar a sorologia para herpes zóster antes da vacinação.
Cinco por cento da população mundial tem hepatite B crônica e 500 mil pessoas morrem todo anos por causa dessa infecção. Mudanças no comportamento e hábitos sexuais de pessoas com mais de 60 anos indicam a importância de se discutir a vacinação contra hepatite B na população idosa. A vacina contra hepatite B é composta por vírus inativado, aplicada por via intramuscular profunda na região deltoide. Não deve ser aplicada na região glútea, pois a adoção desse procedimento se associa com menor produção de anticorpos, pelo menos em adultos. A recomendação atual é a vacinação de rotina, no esquema de três doses – 0, 1 e 6 meses. Pacientes renais crônicos e imunossuprimidos a dose deve ser dobrada e em quatro aplicações, 0, 1, 2 e 6 meses.
Doença endêmica que em suas formas mais graves tem letalidade de 50%, estima-se ocorrerem anualmente 200 mil casos e 30 mil mortes.
Devem ser vacinadas todas as pessoas que vivem em áreas de risco, ou todos maiores de nove meses de idade que se dirigem para essas áreas. Em idosos, pelo relato de complicações viscerais fatais com a vacina, torna-se questionável vacinar pessoas acima de 60 anos, devendo-se considerar o risco-beneficio.
A vacina é fabricada no Brasil e contém a cepa 17DD, a mais comumente presente em vacinas no mundo. Apresenta alta imunogenicidade e oferece proteção prolongada. É aplicada via subcutânea, em dose de 0,5 ml. O reforço da segunda dose após dez anos deve ser feito em casos em que persista o risco.
Adiar a vacinação por duas semanas em pacientes que interromperam imunossupressor, quimioterápico ou radioterapia.

Referências

  1. Philip S Brachman. Infectious diseases—past, present, and future. J. Epidemiol. (2003) 32 (5): 684-686.
  2. Guia de vacinação Geriatria SBIm/SBGG 2104/2015.

Tópicos relacionados

Vacinas por tipo Vacinas por tipo Alguma dúvida sobre vacinas? Envie sua dúvida e retornaremos em breve.
Calendário de Vacinas Calendário de Vacinas   Fonte: http://sbim.org.br/calendarios-de-vacinacao. Disponível em 09/04/...
Vacinação – perguntas frequentes Em entrevista ao blog Auge, um dos especialistas da Clínica Auge, o Dr. Leonardo Vinícius de Andrade...